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  • Marisa Mendes

Corpo de Dor - Eckhart Tolle (I)

Os pensamentos são algo que acontecem, tal como a digestão acontece, a circulação sanguínea acontece, as transformações no nosso corpo acontecem, etc. Quando ficamos dominados por estes pensamentos provenientes da mente, que é condicionada por vivências passadas, não só passamos a reviver o passado vezes sem conta, como confundimos a entidade dominadora com quem somos. Desta identificação total com a mente nasce uma falsa noção de identidade: o Ego. A densidade deste ego depende do grau de identificação com a nossa mente e pensamento, que por sua vez, varia de pessoa para pessoa: em alguns casos gozam de períodos de libertação do Ego com paz, alegria, criatividade, amor e compaixão; noutros casos, vivem quase constantemente presas ao Ego, alienadas de si, dos outros e do mundo que as rodeia, absorvidas pelo pensamento, algures no passado ou futuro, raramente focadas no Agora.


Além do pensamento há que considerar as emoções. As emoções são a reação do corpo à nossa mente. E podem ser despoletadas por uma situação ou acontecimento real ou por pensamentos, como se fossem realidade.


"Para o corpo, um pensamento de preocupação ou medo significa "estou em perigo", respondendo ao mesmo em conformidade com esse facto, mesmo que esteja deitado à noite numa cama quente e confortável."


Há uma acumulação de energia como resposta do corpo ao estímulo (aumento dos batimentos cardíacos, contracção muscular, etc) mas como o perigo é apenas uma ficção mental, a energia fica retida; uma parte é utilizada para alimentar a mente e gerar mais pensamentos de ansiedade; a outra torna-se tóxica e interfere com a harmonia do corpo.

Portanto, a voz que surge na nossa mente conta-nos uma história à qual o corpo acredita e reage com emoções negativas - pensamento disfuncional. Surge com tal rapidez que, antes de a mente ter tempo para lhes dar voz, o corpo já respondeu com uma emoção, que por sua vez transforma-se numa reação. Estes pensamentos ocorrem antes da verbalizarão e podem ser designados por pressupostos implícitos e inconscientes e tem origem no condicionamento passado geralmente nos primeiros anos de vida, pelos modelos de juventude, normalmente, pai e mãe.


"Não se pode confiar nas pessoas" (incompreensão acerca de quem é, por parte do pai e da mãe nos primeiros anos de vida); "Ninguém me respeita ou dá valor"; "O dinheiro é sempre insuficiente"; " A vida desilude sempre"; "Tenho de lutar pela minha sobrevivência"; são exemplos de pensamentos disfuncionais aos quais o corpo reage através de emoções negativas tais como a Raiva, Tristeza, Medo, Mágoa e Culpa. Estas emoções tendem a alastrar às pessoas com quem temos contacto e através da reacção em cadeia, contagia inúmeras pessoas que desconhecemos.


Ainda acerca do condicionamento passado (que está na origem dos pressupostos inconscientes e do pensamento disfuncional) provém do passado que continua vivo através das memórias dolorosas que, na incapacidade de serem assumidas como um processo natural de desenvolvimento e aprendizagem positiva, tornam-se um fardo porque nos dominam e passam a fazer parte da nossa noção de identidade: a nossa história transforma-se na pessoa que julgamos ser e as antigas emoções associadas a essas memórias são permanentemente revividas, pois fortalecem esta noção de identidade.


"As crianças consideram as fortes emoções negativas como algo avassalador e a sua tendência é tentar não as sentir. Na ausência de um adulto totalmente consciente que a oriente com amor e compreensão no sentido de encarar directamente a emoção, optar por não a sentir é, de facto, a única opção para a criança naquela altura. Infelizmente este mecanismo de defesa precoce costuma permanecer activo quando a criança se converte num adulto. A emoção continua a viver a viver dentro dela sem ser reconhecida e manifesta-se de forma indirecta, por exemplo, como ansiedade, ira, explosões de violência, má disposição ou até como doença física. Em alguns casos, a emoção interfere ou prejudica todas as relações mais próximas. (...) Os resíduos de dor deixados para trás por uma forte emoção negativa que não foi totalmente encarada, aceite e depois abandonada juntam-se, formando um campo energético que vive dentro das próprias células do nosso corpo. Para além da dor da infância, foram acrescentadas a esta, emoções dolorosas da adolescência e da vida adulta, parte delas já criadas pela voz do Ego. É a dor emocional que nos acompanha inevitavelmente quando uma falsa noção de identidade constitui a base da nossa vida."


A esta acumulação de dor emocional antiga, Eckhart Tolle dá o nome de "Corpo de Dor".

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