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  • Marisa Mendes

Corpo de Dor - Eckhart Tolle (II)



O QUE É O CORPO DE DOR? "Os resíduos de dor deixados para trás por uma forte emoção negativa que faltou ser totalmente encarada, aceite e depois abandonada juntam-se, formando um campo energético que vive dentro das próprias células do nosso corpo. Para além da dor da infância, consiste também nas emoções dolorosas que lhe foram acrescentadas posteriormente, durante a adolescência e a vida adulta, muitas delas criadas pela voz do ego. (...) A este campo energético de emoções antigas, mas ainda muito vivas, que habita de dentro de quase todos os seres humanos dou o nome de corpo de dor."


COMO O CORPO DE DOR SE ALIMENTA?

"Como todas as formas de energia, o corpo de dor periodicamente precisa alimentar-se - consumir nova energia. Qualquer experiência emocionalmente dolorosa pode ser alimentada como alimento do corpo de dor. Por isso, o corpo de dor cresce alimentando-se de pensamentos negativos, assim como dos dramas que se prendem com os relacionamentos. O corpo de dor consiste numa dependência da infelicidade.

Pode ser um choque para ti aperceberes-te pela primeira vez que existe algo dentro de ti que procura periodicamente a negatividade emocional, que busca a infelicidade. É preciso termos mais consciência para o reconhecer em nós mesmos do que nos outros. Assim que a infelicidade nos domina, queremos que ela permaneça e que os outros se sintam tão infelizes como nós, para nos alimentarmos das suas reacções negativas."


ESTADO LATENTE OU ESTADO ACTIVO ?

"Na maior parte das pessoas, o corpo de dor pode encontrar-se num estado latente ou activo. Quando está latente, é fácil esquecer de que carregamos dentro de nós uma pesada nuvem escura ou um vulcão adormecido, dependendo do nosso campo de dor específico (e quão denso é). (...) O corpo de dor desperta do seu estado latente quando tem fome, quando tem de se reabastecer. Neste momento, pode ser desencadeado a qualquer altura por algum acontecimento, ou estímulo, mesmo que aparentemente insignificante; pode usar algo que alguém diz ou faz, ou inclusivamente um pensamento.


(...) A emoção do corpo de dor assume rapidamente o controlo do nosso pensamento e, assim que a nossa mente é dominada pelo corpo de dor, os nossos pensamentos tornam-se negativos. A voz que existe dentro da nossa cabeça começa a contar histórias de tristeza, ansiedade ou ira sobre nós e sobre a nossa vida, sobre as outras pessoas, sobre o passado, o futuro ou acontecimentos imaginários. A voz tem um tom acusador, de censura, lamento e fantasia. E nós identificamos com tudo o que a voz diz, acreditamos com todos os seus pensamentos distorcidos. Nesta fase, a dependência da infelicidade já se instalou (...) o corpo de dor vive através de nós, fazendo-se passar por nós. E, para o corpo de dor, dor é sinónimo de prazer. (...) Estabelece-se um ciclo vicioso entre o corpo de dor e o nosso pensamento. Todos os pensamentos alimentam o corpo de dor e, por sua vez, o corpo de dor gera mais pensamentos. Quando o corpo de dor está reabastecido e regressa ao seu estado latente, deixa atrás de si um organismo esgotado e um corpo muito mais susceptível à doença, como se um parasita psíquico se tratasse.


Se vives com outras pessoas, o corpo de dor vai tentar provocá-las, de preferência um cônjuge ou parente próximo. Os corpos de dor adoram relacionamentos íntimos e famílias, pois é deles que extraem a maior parte do seu alimento. É difícil resistir ao corpo de dor de outra pessoa, se estiver determinado a provocar uma reação em nós. Instintivamente, ele descobre quais são os nossos pontos mais fracos, mais vulneráveis, e tentará as vezes que forem necessárias."


O CORPO DE DOR NOS RELACIONAMENTOS ÍNTIMOS

"Nos relacionamentos íntimos, os corpos de dor tem muitas vezes a capacidade de se manterem discretos até as pessoas começarem a viver juntas e, de preferência, com um contrato estabelecido no qual se comprometem a permanecer uma com a outra para o resto das suas vidas. Casamos, portanto, com o respectivo corpo de dor do nosso parceiro, e ele com o nosso. Pode ser um grande choque quando, talvez pouco tempo depois de começar a viver junto, de repente o casal descobre que se registou uma mudança total na personalidade do seu cônjuge. A sua voz tem um tom áspero ou estridente quando nos acusa, nos culpa ou grita connosco, muitas vezes por causa de um assunto banal. Ou então, torna-se completamente ausente, quando nos retribui o olhar parece uma pessoa totalmente desconhecida e no seu olhar há ódio, hostilidade, amargura ou ira. Quando fala connosco, é o corpo de dor que fala através dele. Tudo o que ele diz é a versão da realidade completamente distorcida pelo medo, pela hostilidade, pela ira e pelo desejo de infligir e receber mais dor.


(...) A maior parte dos corpos de dor deseja sofrer e infligir dor mas alguns são predominantemente perpetradores ou vítimas. Em qualquer dos casos, alimentam-se sempre da violência emocional ou física. Alguns casais que julgam estar apaixonados sentem-se na realidade atraídos um pelo outro apenas porque os seus corpos de dor se completam. por vezes os papéis de perpetrador e de vítima são claramente atribuídos logo no primeiro encontro. É muito difícil encontrar um companheiro ou companheira totalmente consciente e liberto do seu corpo de dor, por isso talvez seja sensato optar por uma pessoa com um corpo de dor menos denso.


(...) Muitas relações vivem episódios violentos e destrutivos do corpo de dor em intervalos regulares. É quase insuportavelmente doloroso para uma criança ter de assistir à violência emocional dos corpos de dor dos pais, porém este é o destino de muitas crianças e uma das principais formas de transmissão dos corpo de dor de geração em geração. Após cada episódio, o casal faz as pazes e verifica-se um interregno de paz relativa, dentro dos curtos limites permitidos pelo ego.


O consumo excessivo de álcool costuma ativar o corpo de dor. Quando uma pessoa se embebeda, sofre uma mudança de personalidade com o assumir do seu corpo de dor. Uma pessoa totalmente inconsciente, cujo corpo de dor se reabastece habitualmente através da violência física, costuma dirigir essa violência para o seu cônjuge e/ou filhos. Quando volta a estar sóbria, essa pessoa arrepende-se verdadeiramente e pode prometer que nunca mais se repetirá esse comportamento, com uma intenção autêntica de cumprir a promessa. Porém, a pessoa que esta a falar e a fazer promessas é diferente da entidade que inflige a violência, por isso podemos ter a certeza de que o mesmo se repetirá vezes sem conta até que essa pessoa se torne presente, reconheça o corpo de dor que existe dentro de si mesma e, por conseguinte, aprenda a identificá-lo dissociando-se do mesmo."


COMO LIBERTAR O CORPO DE DOR?

"O início da libertação do corpo de dor começa, em primeiro lugar, por nos apercebermos de que temos um corpo de dor. Depois, e igualmente importante, surge a nossa capacidade de permanecermos suficientemente presentes e em alerta para nos darmos conta do corpo de dor existente em nós mesmos, que assume a forma d um pesado fluxo de emoções negativas quando está ativo. Ao ser reconhecido, o corpo de dor deixa de poder fazer passar-se por nós, de permanecer vivo e de continuar a alimentar-se através de nós. É por isso, a nossa Presença consciente que quebra a nossa identificação com o corpo de dor. Sem este identificação, o corpo de dor deixa de conseguir controlar o nosso pensamento e deles se alimentar. Assim que rompemos a ligação entre o corpo de dor e o nosso pensamento, ele começa a perder energia gradualmente. O nosso pensamento deixa de ser assombrado pelas emoções; as nossas percepções do presente deixam de ser distorcidas pelo passado. A energia que estava presa ao corpo de dor muda então a sua frequência vibratória e é transmutada em Presença. Desta forma, o corpo de dor transforma-se em alimento para a consciência.


(...) Isto significa que as pessoas podem ser desresponsabilizadas quando estão dominadas pelo seu corpo de dor? Num plano mais abrangente, como seres humanos estamos destinados a evoluir para seres conscientes, e os que permanecem inconscientes sofrerão as consequências. A esta evolução dá-se o nome de Despertar.

Nos relacionamentos íntimos, uma pessoa com um corpo de dor forte e ativo tem uma emanação de energia específica percepcionada como extremamente desagradável, capaz de afastar as pessoas em geral e o companheiro e família em específico, pois encontram-se muitas vezes a instigar o conflito. A negatividade que emanam é o suficiente para atrair a hostilidade e gerar conflitos. É necessário um estado forte de Presença para permanecer sem reação quando somos confrontados com um corpo de dor tão denso e ativo. A ausência de reação poderá ser interpretada por ti neste momento por uma submissão ou anulação do teu eu. Na verdade, esta interpretação é o teu corpo de dor que está a fazer por acumular uma ligeira sensação de inferioridade. Quando falo em ausência de reação refiro-me à capacidade de dissociação no momento, ou seja a clarividência de compreender que aquilo é o corpo de dor do outro que está a querer alimentar-se de ti. É uma escolha tua cederes em reação ou limitares a sua atuação com um discurso sereno, porém assertivo, sem julgamento ou crítica, respeitando que aquele é o seu processo de evolução até que um dia também consiga estar Presente.

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